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Tema | 2018

CRASH!

O projeto Dança DK foi desenvolvido em cooperação com a dançarina profissional e professora universitária Deborah Dodd Macedo, e é construído em torno de três valores fundamentais: democracia, participação e diálogo.

Entrevista com os bailarinos do espetáculo Crash – Vitor Hamomoto e Robin Menezes.

 

Atualmente, Vitor Hamomoto mora na Dinamarca e é bailarino profissional da Companhia de Dança Dinamarquesa – Uppercut Danseteater. 

CRASH

Como e quando a dança surgiu na sua vida?

 

Vitor: A dança sempre fez parte da minha vida, porque a minha mãe era bailarina, eu cresci nesse universo da dança, mas comecei a ter interesse mesmo aos 15 anos.

 

Robin: A dança existe para mim desde muito cedo, aos 7 anos minha mãe dançava bolero e eu a acompanhava. Mas, foi em 2016 que eu conheci o Hip Hop e me apaixonei.

 

Como é fazer parte de um projeto colaborativo entre diferentes culturas como o Brasil e a Dinamarca?

 

Vitor: É muito interessante, no começo foi um choque grande, porque o jeito que os dinamarqueses trabalham é muito diferente dos brasileiros. O modos operandi deles é muito sério, eles respeitam o planejamento do projeto, são muito organizados.

 

Robin: Me sinto privilegiado em poder fazer parte disso, de ver o projeto sair do papel e tomar essa proporção. O desafio foi de conhecer essa cultura diferente e vivenciar o dia a dia deles que foi só nos agregando. Essa troca colaborativa é muito incrível, porque nós brasileiros somos bem expressivos e isso contagiou bastante os dinamarqueses e em contrapartida absorvemos muito a disciplina e a forma como eles trabalham.

"Eu olhei para minha equipe e disse que não ia voltar com eles. Cancelei minha passagem, avisei minha esposa e embarquei para Dinamarca;"
Robin

Você foi o primeiro a embarcar nesse projeto, como isso ocorreu? O que isso significa para você? Acreditava nessa reverberação atual? 

 

Robin: Eu sempre tive a curiosidade de aprender algo novo, culturas e estilos diferentes para agregar na minha dança. Quando eu embarquei para Paris, eu senti que daria tudo certo, e depois da competição quando tive a confirmação de que conseguiria ir para a Dinamarca eu olhei para minha equipe e disse que não ia voltar com eles. Cancelei minha passagem, avisei minha esposa e embarquei para Dinamarca. Quando finalmente cheguei lá, pensei isso aqui é real, é a realização de um sonho.

 

Quando voltei para o Brasil eu falei pro Yuri, meu companheiro desde pequeno na dança, “lembra daquele projeto? Deu tudo certo”, contei sobre o Daci (Organização internacional que promove dança para jovens) e perguntei se ele não queria conhecer. Ele topou, e o projeto foi tomando uma outra dimensão. A Deborah teve a ideia e pensamos porque não fazer um espetáculo com o Zulu Breakers? A gente precisava de mais um dançarino, e como em Brasília não tínhamos espaço para treinar, a Deborah conseguiu apoio no Instituto Federal de Brasília (IFB), e ela nos apresentou ao Vitor, aluno dela no IFB. Então deu super certo, a sinergia.

 

A partir disso o Crash só cresceu e fomos para a Dinamarca em 2015, nos apresentamos no Daci, e foi um estouro.  Em novembro de 2016 surgiu a oportunidade de apresentar o Crash em Brasília, as primeiras apresentações nacionais. O pessoal da Dinamarca veio para cá e foi a segunda troca de experiência.

 

O feedback foi positivo. O espetáculo foi tão bom que fomos convidados a retornar para a Dinamarca em 2017 no subURBAN Dance Festival, e depois disso tudo, é a história que estamos vivendo até hoje.

 

Como está sendo a experiência de morar na Dinamarca, como tudo aconteceu?

 

Vitor: Fui contratado para ser bailarino da companhia dinamarquesa de dança – Uppercut em 2017. Em setembro do mesmo ano eu me mudei para Copenhague.  Eu cheguei no inverno e o inverno daqui é cruel. Entretanto a recepção por parte de toda a equipe da Uppercut foi tão acolhedora, que tornou tudo mais fácil. Eu já conhecia a equipe, pois havíamos realizado a turnê do Crash em 2016 no Brasil e em 2017 na Dinamarca. Isso facilitou meu processo de adaptação e fez com que eu me sentisse em casa.

Eu conheci a companhia dos meus sonhos, o país dos meus sonhos e eu sou muito grato a esse projeto porque ele me fez estar aqui agora.
Vitor

Nos conte sobre o Crash, o que ele significa para vocês?

 

Vitor: O crash significa muito para mim, foi a porta de entrada para esse mundo que eu vivo hoje, para o meu sonho. Foi onde tudo começou, onde eu me encontrei como bailarino, onde eu realmente enxerguei o que a arte pode me oferecer.

 

Eu possa afirmar que o Crash mudou a minha vida. Eu conheci a companhia dos meus sonhos, o país dos meus sonhos e eu sou muito grato a esse projeto porque ele me fez estar aqui agora. Eu criei uma relação de irmandade com os brasileiros que começaram comigo, eu não os conhecia pessoalmente e agora eu os considero meus irmãos , assim como os membros da CIA. Uppercut. Eu conheci uma nova família e ganhei uma família enorme por causa desse projeto.

 

Robin: Concordo totalmente com o Vitor, o Crash é um sonho realizado, uma família formada pela arte, pela dança, que cruzou as fronteiras do Brasil e Dinamarca.

 

A arte salva, a arte educa! É um instrumento de pensamento, ela faz com que as pessoas pensem por si só. A arte alimenta o nosso senso crítico, faz com que aprendamos a debater o que acontece na sociedade.
Vitor

A dança é uma arte. Dizem que a arte salva. Vocês concordam com isso? Qual o papel da arte e da cultura na sociedade?

 

Robin: Nós da DF Zulu acreditamos que a cultura, não só a cultura de rua, mas a cultura no geral, valoriza o indivíduo que a sociedade ignora. A arte salva e isso é um fato.  Para mim, o Hip Hop transforma o indivíduo de maneira positiva, e é por isso que eu acredito que toda arte, toda a área da cultura deveria ser valorizada em todos os lugares e necessita de mais investimento para poder alcançar mais pessoas.

 

Vitor: A arte salva, a arte educa! É um instrumento de pensamento, ela faz com que as pessoas pensem por si só. A arte alimenta o nosso senso crítico, faz com que aprendamos a debater o que acontece na sociedade. Por exemplo: a arte contemporânea se relaciona com o presente e nos dá a oportunidade de criticar, debater, refletir o que está acontecendo atualmente, no agora. Precisamos dela!

 

Qual o maior desafio que o Crash trouxe?

 

Vitor: O maior desafio foi transcender a minha visão sobre a dança, eu sempre tinha que interpretar um personagem, mas nesse espetáculo eu sou permitido a ser eu mesmo no palco e, eu li em algum lugar que eu não me recordo agora, que falava sobre a liberdade como uma forma de prisão e isso me remete ao fato de que sou livre para ser eu mesmo no palco, mas ao mesmo tempo eu não sabia quem eu era. E esse foi o maior desafio, me descobrir.

 

Robin: O maior desafio do Crash é manter a qualidade.

 

E o que vocês fazem para manter a qualidade?

Muito treino, a gente se preocupa muito com o físico, tentando aprimorar cada vez mais nosso estilo de dança para desenvolver um trabalho de alta performance.

 

Como foi o processo criativo do Crash?  

 

Robin: O processo criativo do espetáculo Crash foi diferente, porque foi via redes sociais, a galera enviava para gente os movimentos, a gente aprendia o movimento e criava outro movimento com base no que eles nos enviavam. Era literalmente uma troca no processo de criação.

 

Vitor: Foi incrível, eu aprendi bastante, o primeiro projeto realizado em 2015, a maioria do material coreográfico que a gente produziu foi por vídeo e compartilhado pelo Facebook. Foi muito interessante, porque não nos conhecíamos, os bailarinos, só o Robin que já tinha ido a Dinamarca. A gente se apresentou por vídeo, foi tudo feito por meios tecnológicos. Estreitamos os laços assim, tivemos que falar sobre a gente. E funcionava da seguinte forma: a Débora Dodd direcionou a gente. Ela dava os comandos para a gente gravar as coreografias e a gente gravava os vídeos e enviava para a Dinamarca, alguns dias depois os dinamarqueses nos respondiam com outros vídeos e assim criávamos um com base no outro.

Foi um processo bem colaborativo. Quando a gente foi para a Dinamarca, foi muito importante chegar lá com os materiais prontos, porque aí só encaixamos e adaptamos ao espetáculo. A direção da coreografia, foi feita pela diretora da Uppercut – Stephanie Thomasen , uma excelente profissional que só agregou ao projeto.

 

Utilizamos um diálogo intercultural com os diferentes países que trabalhamos e a arte como forma de quebrar fronteiras. Em relação a isso, qual a sua opinião perante o trabalho que o ICD desempenha?

 

Robin: Oportunidade. O ICD gera oportunidades para conhecermos diferentes culturas, contato com outros modos de vida. O Instituto aproxima as culturas. É super da hora o trabalho de vocês, porque são diversos países e a gente vê o quanto somos capazes de influenciar e ser influenciados por outras culturas. É uma verdadeira troca.

 

Vitor: Usar a arte como forma de comunicação é incrível, porque a arte é uma linguagem universal, o mundo inteiro conhece a arte, e eu acho que toda comunicação tem que partir de um ponto em comum, porque é impossível a gente conversar sobre uma coisa se a gente não fala a mesma língua em determinado assunto, se não temos o mesmo interesse. Eu acredito que a arte une as pessoas e nesse sentido acho que o papel do Instituto é fundamental para que a arte seja disseminada e as pessoas conectadas.

 

Qual é a expectativa para a turnê do Crash na França, Dinamarca e Brasil? 

 

Robin: A expectativa é muito grande, porque o pessoal da França assistiu o Crash na Dinamarca e nos convidou para levar o espetáculo para lá. Faz um tempo que a gente não vê o Vitor, então essa oportunidade é também para rever a família Crash e poder dar o sangue de novo para fazer a melhor apresentação para o nosso público.

 

Vitor: Iremos adaptar o espetáculo Crash para o festival Dansk no Brasil, porque toda vez que apresentamos este espetáculo elaboramos um novo formato. Mas não importa como e o quanto o espetáculo mude, tenham certeza que estaremos todos de corpo e alma no palco e quem for nos assistir, irá se surpreender. O feedback sempre foi muito positivo e estamos pensando em algo bem especial para o público brasileiro.

 

Assista o trailer abaixo:

O Crash é um espetáculo de dança urbana, que fará parte da programação do Festival Dansk em novembro no Brasil – Rio de Janeiro.